terça-feira, 13 de julho de 2010

Crônica de Arnaldo Jabor

A MAIS PURA VERDADE...

A medida que envelheço e convivo com outras, valorizo mais ainda as mulheres que estão acima dos 30. Elas não se importam com o que você pensa, mas se dispõem de coração se você tiver a intenção de conversar. Se ela não quer assistir ao jogo de futebol na tv, não fica à sua volta resmungando, vai fazer alguma coisa que queira fazer...
E geralmente é alguma coisa bem mais interessante. Ela se conhece o suficiente para saber quem é, o que quer e quem quer. Elas não ficam com quem não confiam. Mulheres se tornam psicanalistas quando envelhecem.
Você nunca precisa confessar seus pecados... elas sempre sabem... Ficam lindas quando usam batom vermelho. O mesmo não acontece com mulheres mais jovens... Mulheres mais velhas são diretas e honestas.
Elas te dirão na cara se você for um idiota, caso esteja agindo como um!
Você nunca precisa se preocupar onde se encaixa na vida dela. Basta agir como homem e o resto deixe que ela faça... Sim, nós admiramos as mulheres com mais de 30 anos! Infelizmente isto não é recíproco, pois para cada mulher com mais de 30 anos, estonteante, bonita, bem apanhada e sexy, existe um careca, pançudo em bermudões amarelos bancando o bobo para uma garota de 19 anos...
Senhoras, eu peço desculpas! Para todos os homens que dizem: "Porque comprar a vaca, se você pode beber o leite de graça?", aqui está a novidade para vocês: Hoje em dia 80% das mulheres são contra o casamento e sabem por quê?
"Porque as mulheres perceberam que não vale a pena comprar um porco inteiro só para ter uma lingüiça!". Nada mais justo!
Arnaldo Jabor

A última crônica
Fernando Sabino
A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “Parabéns pra você, parabéns pra você...”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura — ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido — vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.
Elenco de cronistas modernos. 21ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2005.

sábado, 5 de junho de 2010

sábado, 15 de maio de 2010

Plano de aula - Ficção Científica

Ficção Científica

Modalidade / Nível de Ensino

Componente Curricular

Tema

Ensino Fundamental II

Língua Portuguesa

Ficção científica

Dados da Aula

O que o aluno poderá aprender com esta aula

Características da ficção científica.

Semelhanças e diferenças entre conto de ficção científica e filme de ficção científica.

Produzir um conto de ficção científica

Duração das atividades

Aproximadamente 12 aulas de 50 mim. (03 para introdução do assunto, comercial do filme e assistir ao filme; 02 p/ apresentação, discussão e elaboração de mural com artigos/reportagens/notícias sobre pesquisas científico-tecnológicas; 01 aula para os questionamentos sobre o filme, 01 aula para leitura e discussão do conto; 01 aula para produção do conto; 02 a 03 aulas para revisões nos contos e publicações. No caso de se ler outros contos pelo menos mais 01 aula.)

Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno

Relações entre ciência, imaginação e realidade.

Filmes de ficção científica aos quais os alunos já tenham assistido.

Noções de desenvolvimento científico-tecnológico.

Noções sobre contos.

Procedimentos e recursos da aula

Levantar conhecimentos prévios dos alunos a cerca de filmes aos quais eles assistem, identificando características da ficção científica.

Levantar conhecimentos prévios dos alunos sobre histórias/contos que eles conheçam com temática relacionada à ficção científica.

Comentar algumas características do filme “Eu, Robô” e chamar a atenção para pontos aos quais os alunos devam atentar-se.

Assistir ao filme “Eu Robô”.

Solicitar aos alunos que levem para a aula notícias/reportagens/artigos sobre pesquisas científico-tecnológicas e pedir que eles apresentem para os colegas. Organizar, em seguida, um mural com o material trazido pelos alunos.

Discutir o filme, levantando questões como (As questões podem ser debatidas só oralmente ou pode solicitar que primeiro os alunos respondam-nas no caderno):

  • Que fatos parecem fora do comum no filme? Por quê?

  • Que fatos estranhos, fora do comum tornam-se coerentes com a realidade em algum momento? Justifique isso.

  • Há verossimilhança no filme (índices, coerência do tempo, de elementos do cenário)? É preciso deixar claro o que é verossimilhança.

  • Qual é a verdade científica apresentada?

  • Que assuntos o filme permite discutir além da tecnologia?

  • Quais conseqüências o filme pressupõe? Que perigos?

  • As descobertas científicas podem trazer prejuízos à humanidade? Exemplifique.

  • Qual é o tempo em que se passa a história do filme?

  • Onde acontece o enredo?

  • A imagem de futuro projetada pelo filme é otimista ou pessimista? Por quê?

  • Quais os momentos de maior suspense?

  • Cite relações de causa e conseqüência apresentadas no filme.

Ler o conto “A Estrada” de Ray Bradbury (ou outro com evidentes pontos de intertextualidade com o filme. (Usou-se esse para aproveitar a sequência do livro didático que usamos.)

*Seria interessante ler mais alguns contos dessa modalidade com a turma para que tivesse mais contato como gênero e, consequentemente, mais facilidade para produzir seu texto.

Basicamente as mesmas questões discutidas no filme deverão ser discutidas no texto, ressaltando as características do gênero conto, mais especificamente ainda do conto de ficção científica.

Solicitar que os alunos produzam um conto de ficção científica para publicar em um fanzine. (Esclarecer o que é fanzine. Também deixar claro desde o início que no final o aluno fará uma produção para publicação.)

Sob orientação do professor, realizar revisão/refacção textual.

Encaminhar para publicação. Pode ser em um fanzine feito pelos alunos ou de algum site.

Recursos Educacionais

Nome

Tipo

Ficção científica

Filme e conto

Recursos Complementares

Recurso visual (TV com DVD ou projetor multimídia), revista, jornal, papel craft, pincel atômico, computador/internet, sala de aula, conto em folha impressa ou em livro, caderno, caneta, lápis , borracha, dicionário.

Avaliação

Pesquisas, participação nas discussões, realização do mural, produção de conto de ficção científica, correções no conto e sua publicação.


Elielson Ferreira Bezerra

Chapadão do Céu-GO, maio de 2010

Tecnologia e educação

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Sou graduado em Letras e especialista em Linguistica e Ensino, atuo como professor de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental e Redação no Ensino Médio.
Com esse blog, espero ter mais um espaço para interação, bem como para socialização de experiências e conteúdos voltados à área educacional.